sábado, 9 de fevereiro de 2008

Por que Québec?

Nos últimos tempos, temos nos dedicado a reunir a documentação necessária para o início do processo de imigração. Por isso, nunca nos sentimos tão próximos de começarmos a realizar nosso projeto-sonho de residir em Montréal, apesar de sabermos que o caminho a percorrer é longo e repleto de desafios...
Quando o ano de 2008 começou, sentimos que seria especial e determinante em nossas vidas, já que chegou o tempo de colocar em prática os meios que nos possibilitarão o retorno a Montréal. Assim, quando conversamos com as pessoas mais próximas de nós sobre a imigração, algumas delas (as que ainda desconhecem nossos motivos) nos questionam sobre o porquê de querermos sair do Brasil e viver no Canadá.
Curiosamente, nem sempre tem sido simples explicar o que nos motiva a fazê-lo, pois há pessoas que confundem os fatos e entendem que a vontade de morar em outro país se resume a um sentimento de baixa auto-estima do brasileiro em relação ao Brasil, como se achássemos que tudo neste país é ruim e motivo para alimentarmos a idéia de que o "produto importado" é inteiramente melhor que o nacional... É lógico que, se não intencionamos viver no Brasil, é porque acreditamos que seremos mais felizes em outro lugar, mas isso não significa que estejamos "cuspindo no prato em que comemos". Além disso, creio que todo imigrante é movido
, em grande parte, por uma motivação individual de caráter afetivo, o que, geralmente, a torna incompreensível para os que dela não compartilham. Este post vai tratar, portanto, da motivação afetiva e dos motivos práticos que nos levaram a querer emigrar para o Québec.
O sonho era de um de nós e, depois, se tornou dos dois... No meu primeiro ano na universidade, quando eu tinha 17 anos, assisti a uma palestra sobre o Canadá e a uma aula com um professor québécois na ocasião da "Semana da Francofonia", organizada pelo curso de Letras. Fiquei completamente fascinada com as informações que obtive sobre o país e, especialmente, sobre o Québec, pois, nesta época, o francês já era uma grande paixão e eu já sonhava em "desbravar o mundo", conhecer culturas e povos diferentes, ampliar horizontes... Naquela semana, eu disse para mim mesma que "um dia" eu iria para o Québec, mesmo não tendo condições de fazê-lo na época...
Anos depois, conheci o Walmor e começamos a namorar. Eu tinha um emprego muito bom, mas eu sentia que precisava dar uma guinada em minha vida, que eu poderia ser e fazer mais do que o que se apresentava para mim naquele momento. Assim, em 2004 convidei o Wal a ir para o Canadá comigo e ele topou. Fizemos as malas e fomos para Montréal em 2005 com visto de estudante mas sem data para voltar, já que pretendíamos renovar o visto e iniciar o processo de imigração estando lá. O que vivemos em Montréal só confirmou o desejo de viver lá, mas decidimos voltar para o Brasil para que nós pudéssemos criar melhores condições de sermos selecionados pelo Québec.
O que podemos dizer é que, primeiro, há algumas motivações oriundas dessa história que só a gente conhece e entende, mas, sim, nós procuramos uma melhor qualidade de vida, uma sociedade mais justa, em que povos de diversas culturas convivem muito bem, nos enriquecem e dão colorido ao nosso dia-a-dia, em que se pode exercer uma profissão por amor a ela, e não por necessidade de sobreviver no mercado de trabalho, em que o governo está presente dando total suporte à população e garantindo-lhe meios dignos de vida, em que os índices de violência são irrisórios... Por outro lado, também conhecemos o ônus da emigração, que é o de estar longe da família e dos amigos, sentir uma saudade sem cura das coisas que só a "terrinha" tem, criar um filho num país cujos valores são diversos dos brasileiros (e nisso há um grande desafio)...
Assim, nossa experiência nos mostrou que o imigrante é um indivíduo que, mesmo sem saber, escolhe ser eternamente dividido entre o bônus e o ônus da imigração: ele decide viver num lugar que lhe proporcionará mais felicidade, melhores condições de vida, mas sempre terá dentro de si um vazio, que pode ser imenso (acho que é o caso do imigrante que decide retornar ao país de origem) ou pequeno (que é administrável e o faz ficar no novo país). Alguns imigrantes podem, ainda, a partir do tamanho do vazio que sentem, fazê-lo diminuir até quase desaparecer, talvez porque adotaram a nova cultura à qual conseguiram se integrar.
Depois de viver no Canadá e voltar para o Brasil, pudemos aprender muito com as experiências e "fazer as contas". Dessa forma, chegamos à conclusão de que seremos mais felizes no lugar que nos faz mais felizes (isso pode parecer redundante, mas tem seu sentido) e de que somos capazes de administrar o ônus dessa decisão.
Bonne chance à tous!
B.

2 comentários:

Chris disse...

Oi, Babi!
Parece que vc leu minha mente, rsrsrs.
Digo isto, pois eu vivi no Québec há 17 anos atrás e desde então sempre quis voltar para morar.
Mesmo tendo uma vida estável no Brasil, eu sinto que em muitas coisas, eu me identifico mais com lá do que com aqui.
Sucesso na empreitada.
Chris

Paula disse...

Eu me lembro dessa palestra também! E também fiquei fascinada, porém ainda não tive a ousadia! Quem sabe em 2011?