segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Notícias do trabalho

Na sexta-feira passada, completei duas semanas de trabalho na escola de línguas, período em que a professora de francês que substituí esteve de férias. Durante a primeira semana, assumi uma turma pela manhã, composta de duas alunas que estavam finalizando o nível intermediário. Antes que a semana terminasse, a escola me ligou dizendo que, para a semana seguinte, havia mais duas turmas iniciantes à noite pra mim, o que achei muito bom, pensando na possibilidade de poder continuar trabalhando lá. A semana passada começou e eu continuei com a turma da manhã (com uma aluna somente, iniciando o nível avançado, já que a outra havia retornado ao México após a conclusão do intermediário) e uma turma à noite, de três alunos, já que a outra acabou sendo cancelada por falta de inscrições (somente um aluno havia se inscrito).

A esta altura, eu já estava a par da situação da escola. Trata-se de uma escola de línguas que existe há menos de dois anos e que tem poucos alunos. Daí percebi que, sozinha, uma só professora de francês daria conta do recado. Foi então que, na sexta-feira passada, depois de ter concluído minha aula pra aluna da turma da manhã, fui conversar com o dono da escola a respeito da minha situação (já supondo que não haveria turmas pra mim) e ele me disse que para o mês de agosto não precisaria de mim, pois a outra professora retornava hoje das férias, mas que as inscrições para o mês seguinte já haviam começado e que provavelmente ele me chamaria para setembro, esperando conseguir abrir mais turmas.

Apesar de ter lamentado não poder continuar na escola neste mês, antes da semana passada terminar eu já havia chegado à conclusão de que não daria pra continuar trabalhando lá nesses termos, sem um contrato e à mercê da possibilidade de novas turmas serem abertas. Por isso, antes mesmo de conversar com o dono da escola, eu já estava planejando retomar minha função de enviadora de currículos à procura de um novo trabalho, desta vez muito mais auto-confiante e consciente da minha capacidade de trabalhar aqui como professora de francês. Digo isso porque uma coisa é você dar aulas de língua estrangeira no seu país, outra coisa é você fazê-lo num país em que seus alunos não falam sua língua.

Nesse sentido, a experiência que tive nessa escola foi muito enriquecedora. Mesmo no Brasil, eu sempre dei aulas de francês pautadas no mínimo de tradução possível. Era engraçado porque eu já paguei vários micos gigantes na frente dos alunos, fazendo mímicas ou desenhos ridículos na tentativa de fazê-los compreender o que uma expressão, palavra ou situação em francês significava. Só quando todas as possibilidades eram esgotadas é que eu recorria à tradução, principalmente no caso dos alunos com maior dificuldade de apreensão da língua.

Aqui em Montréal, tive, por exemplo, uma aluna coreana, uma senhora nos seus 50 anos de idade (a aluna da turma da manhã). No primeiro dia de aula pra ela (eu já havia sido informada sobre ela pela escola, devido à sua saúde frágil), a caminho da escola, eu fiquei imaginando como seria essa questão toda, de ensinar uma língua estrangeira pra uma pessoa mais velha que não tem a mínima ideia a respeito da minha língua materna pela primeira vez. Estive com ela durante as duas últimas semanas e, finalmente, vi algum retorno daqueles micos que paguei no passado (eu sabia que, um dia, eles me serviriam de algum modo e teriam valido a pena... rs).

Por isso tudo, eu não posso reclamar. Essa já foi uma oportunidade muito boa, que me deu auto-confiança pra alçar outros voos e me abriu portas. Dos alunos que tive na escola, duas alunas (uma delas, a coreana) pediram meu telefone interessadas em ter aulas particulares comigo, o que, de tudo, foi o que me deixou mais feliz, já que, pra todo professor, penso, não há nada mais valioso que o reconhecimento de seus alunos.

Sendo assim, hoje reiniciei minha procura por emprego. Elaborei nove(!!!) cartas de apresentação endereçadas a nove escolas de línguas diferentes. Amanhã pretendo entregar sete delas (todas escolas que ficam no centro de Montréal) e, em outro dia, as outras duas, lááá em Côte Vertu.


Para quem também é professor de língua estrangeira (ou simplesmente professor), deixo a dica de três sites em que temos acesso a uma boa lista de escolas de línguas e cégeps (que oferecem cursos ou disciplinas como inglês e/ou francês) em Montréal:
  • Study in Montreal (site excelente também pra quem está à procura de escolas pra estudar línguas. Contém informações sobre moradia, viagens e trabalhos para estudantes);

Ps.
By the way, faz uma semana que a vizinha do andar de cima não faz barulhos após as onze e meia. Esperamos que ela continue assim!

B.

7 comentários:

Bea disse...

Oi B,

chato isso da sua escola né? Mas sabe, lendo seu post lembrei muitíssimo da situação que vivi várias vezes aqui na cidade onde moro e pelas escolas que passei.

Atualmente estou trabalhando em uma que não há carteira assinada, não há contrato de trabalho e nem nosso canhoto de pagamento podemos ter como comprovante de alguma coisa. Ridículo né?

Semestre passado eu tinha 2 turmas. Trabalhava dois dias na semana, 3 horas somente. Julho chegou e minha coordenadora me chamou para dar curso intensivo. Eu aceitei, qdo perguntei pra ela qto seria o valor da turma, ela teve a cara de pau de dizer "ai... sabe que eu nem sei ainda?"

E pra esse semestre ela me disse que quer me dar 4 turmas, mas todas elas em horários e dias super diferentes... professor no Brasil sofre heim?! Ganha pouco e rala pra caramba!

Olha que minha formação nem é letras, eu sou química, mas sempre dei aulas de Inglês nas horas vagas, mas fico pensando como eu me sentiria se tivesse me formado na área e sendo tão mal remunerado e desvalorizado... cruel!

Não desanime não. Pelo visto dar aula em escola particular é igual aí tb. Mas vc já teve uma experiência, criou contatos com os alunos e o melhor: foi reconhecida!!

Mãos à obra, vá à luta que vc consegue uma coisa muito melhor, com certeza!! Força e sucesso!!!

Beijos pra vc!

Daniella disse...

Oi! Adorei seu blog. Eu fiquei sabendo por meio de uma brasileira, que vive aqui em Montreal hà alguns anos, que a YMCA vira-e-mexe precisa de professores de português. Eu até entrei em contato com eles, mas nao fui em frente porque nao terminei o curso de Letras e nao me sentiria bem fazendo algo para o qual nao sou qualificada. Eu nao acho que sejam muitas turmas, no site sò estao anunciadas aulas no perìodo noturno, mas hà quatro nìveis. Enfim, vale a pena ligar, nao? O coordenador de português se chama Jean-François Lamarche. E o fone là é 514-849-8393 #709.
Abraços. Boa sorte!
Daniella

LiliX disse...

Oi Babi!!
OPbrigada pela dica querida!!Mandei meu curriculo correndo!
:)

É isso aí...bola pra frente....mais pra frente vc vai ver q essa escola era só pra isso mesmo...pra te deixar mais confiante e te fazer alçar vôos maiores!
;)

vem coisa boa por aí...não desanima!

ah! faltam 7 dias....AFEEEE

té mais!

LCF disse...

Oi, que interessante que voce da aulas de frances. Eu estou sempre precisando de professores para dar aulas de frances para criancas. Gostaria que voce me telefonasse ou me mandasse seu contato por email: lcfclubscanada@gmail.com
Keila

Aninha & Lior disse...

Puxa Babi,
Li a postagem depois de ter respondido seu email...
Bom, bola pra frente...pelo menos foi uma experiencia no Quebec.
Boa sorte pra nós todos..!!!
Tenho certeza que mais cedo ou mais tarde estaremos todos bem colocados...
Bjos,
Aninha.

Fernanda disse...

Oi Babi! Que bom que no Desjardins vcs não ficaram com o dinheiro bloqueado. Vc acredita que no início desta semana nós fomos lá para ver se a minha amiga conseguia sacar um pouco de dinheiro, pois ela havia trazido todo o dinheiro dela em TC, e disseram que sempre que cair um cheque na conta o dinheiro ficará bloqueado por 5 dias úteis??? Um amigo nos disse que isso é regra geral do Canadá, mas estou começando a achar que é uma regra da porcaria do meu banco.... vou verificar isso e ver se mudo de banco...

PS: ainda não consegui te ligar, pq estou (ainda) na maior correria.

Bjs
Fernanda

Anônimo disse...

O QUE É BOLSA DE VALORES.

Bolsa é um jogo de compra e venda de contratos. Esses contratos possuem nomes que são derivados de alguma coisa real. Ex: Petrobrás, Vale, Café , Soja, Ouro, Dólar, etc. As empresas recebem o dinheiro da primeira venda ( IPO) e se comprometem em pagar dividendos ou combinam um valor fixo . ( Renda fixa ou variável ). Posteriormente esses contratos continuam a ser negociados pela internet.
O dinheiro que você quer ganhar na bolsa de valores não vem dos lucros das empresas, das taxas de juros ou da boa safra da soja. Operar nos mercados é tentar tirar o dinheiro de outras pessoas, enquanto elas lutam para ficar com o seu. É uma batalha difícil de ser vencida entre touros e ursos, e o que fica no caminho são sucatas de perdedores anônimos. Todos querem ganhar e quem paga a conta é quem perde. A bolsa de Valores é um ambiente extremamente rigoroso.
Existe também os contratos alavancados e futuros que ativam a ganância e destroem seu patrimônio na velocidade da luz. Não é preciso nem colocar dinheiro, apenas uma garantia. Como é impossível ganhar, apesar de parecer fácil, você é colocado pra fora do jogo com todas as humilhações imagináveis. É muito mais covarde do que a própria guerra.
A bolsa retira todos os dias do mercado milhões para pagar corretores, assessores, impostos, taxas, e também a diferença entre a compra , venda, e o valor de fechamento de pregão. Quem ganha recebe menos e quem perde paga bem mais. Esta diferença fica com a bolsa e ninguém percebe que é um jogo de soma negativa semelhante a um cassino.
Bolsa de Valores não é o local mais adequado para pessoas que não querem ser enganadas.
Fonte - Alexandre Elder